Porque é que dedicaram uma semana à saúde mental?
Porque a saúde mental faz parte da saúde de todos, todos os dias, e raramente falamos dela com a naturalidade com que falamos de uma constipação ou de uma perna partida. Outubro é o mês em que se fala mais do tema, e achámos que a escola, onde passamos tantas horas e vivemos tantas emoções, é um lugar natural para começar essa conversa.
Queremos que falar de emoções seja normal e que pedir ajuda seja visto como um gesto de cuidado, nunca de fraqueza.


O que está a acontecer no colégio durante esta semana?
Os trabalhos realizados pelos alunos estão expostos pelo colégio: desenhos, pinturas, cartazes e pequenos faróis feitos por eles. Há ainda frascos com uma pequena luz e uma palavra escrita por quem quis deixar ali aquilo que lhe traz conforto.
Junto à portaria norte, em Dume, e no painel de entrada, em Sete Fontes, estão também afixados dois mapas-mundo, que vão ganhando palavras ao longo da semana.
Há luzes que nos guiam. Há pessoas que nos iluminam.
Porquê o farol?
Porque um farol não afasta o mar, mas ajuda a encontrar caminho quando está escuro. É assim que olhamos para as pessoas que nos acompanham: quando o caminho parece incerto, há luzes que nos guiam. Pode ser a família, um amigo, um professor, um funcionário, ou a palavra certa no momento certo.
E há uma luz que se torna maior quando a partilhamos. É essa a ideia que quisemos deixar a toda a comunidade.


Porque é que pedem uma palavra na língua materna?
Porque cada língua guarda a sua maneira de dizer conforto, esperança ou apoio, e a nossa comunidade fala muitas línguas. Convidámos alunos, professores, funcionários e restantes elementos da comunidade educativa a deixar no mapa uma palavra ou uma pequena mensagem relacionada com o bem-estar, o apoio, a esperança ou aquilo que os faz sentir bem.
Queremos ver os mapas ganharem palavras, línguas, histórias e significados diferentes, e tornar visível aquilo que nos une para além das nossas diferenças. Apesar de sermos diferentes nas palavras, nas culturas e nas histórias, a necessidade de cuidar e de ser cuidado atravessa fronteiras.
Porque é que a semana inclui os professores e os funcionários?
Porque quem cuida também precisa de ser cuidado. Professores e funcionários passam o dia a ouvir, a acolher e a resolver, e há dias em que o cansaço pesa. Por isso preparámos uma pequena surpresa: uma carta, uma caixa a que demos o nome de «Paciêncil», com a indicação «Para abrir quando o dia começou mal», e um saquinho de chá de camomila.
A mensagem é simples: não é preciso estar sempre bem. O gabinete está cá para quem precisar de conversar, partilhar uma preocupação ou encontrar um espaço para respirar.


Que conselhos deixam a alunos, professores e famílias?
Três gestos simples. Perguntar a sério como está o outro e ouvir sem pressa. Dar espaço às emoções, sem as corrigir de imediato, porque sentir tristeza, medo ou cansaço também faz parte. E pedir ajuda cedo, sem esperar que as coisas piorem.
Se reparamos que alguém está diferente durante bastante tempo, no sono, no apetite, no humor ou porque se isola, vale a pena falar com essa pessoa e procurar o apoio do gabinete. Há luzes que nos guiam, e uma delas pode ser alguém que pergunta: «Como estás?»
